Ao pensarmos na surdocegueira e a deficiência múltipla, devemos considerar os aspectos que as diferenciam. O termo surdocegueira é adotado mundialmente e se refere como afirma Maia(2011) às pessoas que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em graus diferentes. A sua grafia expressa a idéia de que consiste em uma deficiência única.
Para McInnes (1999 apud BOSCO; MESQUITA; MAIA, 2010, p. 8), as pessoas com surdocegueira podem ser classificadas em Surdocegos Pré-lingüísticos ou Surdocegos Pós-lingüísticos, o mesmo autor ainda afirma que a surdocegueira pode se caracterizar como congênita ou adquirida. Estes aspectos são importantes, pois determinam os resíduos de audição ou de visão ou a ausência destes, como também o contato que teve com a linguagem oral e\ou escrita.
Já a deficiência múltipla consiste segundo a Lei 7.853, de 24 de outubro de 1989, na associação, no mesmo indivíduo, de duas ou mais deficiências primárias (intelectual / visual / auditiva / física), com comprometimentos que acarretam conseqüências no seu desenvolvimento global e na sua capacidade adaptativa. (IKONOMIDIS – 2010).
As pessoas com deficiência múltipla apresentam uma condição heterogênea em que estão associadas diferentes deficiências e estas associações afetam o funcionamento individual e as relações sociais.
Portanto, podemos dizer que a diferença que se destaca entre surdocegueira e deficiência múltipla refere-se ao acesso que o segundo tem ao meio, já que na surdocegueira a pessoa está impossibilitada ou limitada na sua capacidade de receber informação do meio de maneira fidedigna, necessitando sempre de um mediador.
A aprendizagem incidental ocorre com menor freqüência no caso da pessoa com surdocegueira. As perdas parciais ou totais dos sentidos de distância, ou seja, audição e visão fazem com que a informação do meio lhe venha entrecortada e algumas vezes sem nexo, o que faz com que a pessoa se retraia. A necessidade de uma pessoa para mediar e trazer estas informações de maneira integral e coerente se torna imprescindível. (MEC/SEESP, 2010)
As pessoas com surdocegueira e com deficiência múltipla precisam que se criem condições para uma comunicação eficiente. Para tanto faz-se necessário que sejam considerados os resíduos que a pessoa possui e a partir destes estabelecer o nível de mediação que será necessária para que ocorra uma comunicação.
É preciso planejar estratégias que facilitem a aquisição da comunicação dessas pessoas através objetos de referência, antecipações que servem para antecipar uma determinada atividade, as caixas de antecipação que podem ser utilizadas com crianças que ainda não adquiriram nenhum sistema formal de comunicação, esta antecipação permite à criança conhecer os primeiros objetos de referência que anteciparão as atividades e o conhecimento das primeiras palavras(MEC-2010). Os calendários também são importantes como estratégias para desenvolver a noção de tempo, e estimular o desenvolvimento da comunicação.
Para comunicação das pessoas com surdocegueira é essencial considerar o papel das mãos, uma vez que “com freqüência, as mãos de uma pessoa que é surdacega devem assumir um papel adicional” (MILES, LEANE, 1998). Através das mãos a pessoa com sudocegueira pode ter contato com o meio, manuseando, tocando, etc. Além das mãos serem importantes instrumentos para a comunicação, nestes casos, através da comunicação gestual, devemos considerar que quanto mais cedo esta estimulação começar melhor será para a criança. A família, os professores as pessoas que convivem com a pessoa com sudocegueira precisam, saber se expressar com as mãos para se fazerem entender, como também compreender como esta pessoa utiliza as mãos para expressar sentimentos, sensações e até palavras.
Referências:
- IKONOMIDIS, Vula Maria. Apostila sobre “Deficiência Múltipla Sensorial”, 2010 sem publicar.
- MAIA, Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla. Texto elaborado para a disciplina AEE na Deficiência Múltipla e na Surdocegueira, 2011.
- BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, ShirleyR. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência
Múltipla (2010).
MILES, Barbara, LEANE, Harlan A importância das Mãos para a Pessoa com Surdocegueira, Centro Nacional para Distribuição de Informações Sobre Crianças com Surdocegueira Investigação para escolas Centro Nacional Helen Keller Escola Perkins para Cegos. Publicado em Abril de 1998.
